O mundo real é diferente do mundo percebido. Esta afirmação pode ser de certa forma diferente do senso comum, mas tem uma explicação!
Os neurocientistas têm respostas bastante concretas a esse respeito: não há cores sem que alguém as veja; não há gosto se ninguém o provar; não há som se não há ninguém que os ouça.
Assim, "cientificamente", podemos admitir dois mundos na natureza: o real e o percebido. Duas pessoas não percebem do mesmo modo uma obra musical, a mesma pessoa não perceberá igualmente a mesma música se a ouvir em momentos diferentes de sua vida, pois atravessamos diversos estágios fisiológicos determinados por fatores diferentes, como idade, emoções, alimentação, influências ambientais e sociais ao longo de um mesmo dia, assim como ao longo da vida.
Nossas impressões do mundo serão filtradas por lentes que temos a capacidade de desenvolver, consciente e deliberadamente, pela qualidade de nossos pensamentos, alimentação, práticas de higiene física, mental e espiritual que irão determinar os índices individuais e gerais de qualidade de vida.
Estes conceitos há muito pregados pelas filosofias antigas no ocidente são confirmados por estudos de neurocientistas, ao afirmarem que "o mundo real é diferente do mundo percebido por nosso sistema nervoso".
Esta comparação conceitual entre o filosófico e o científico traz aos povos ocidentais a segurança de que o autocuidado nestes níveis (físico, mental e espiritual) tem relação direta com a qualidade de vida do indivíduo, do grupo em que está inserido, da sociedade, de uma nação e do universo.
Em minha prática profissional tenho rotineiramente observado uma característica, de certa forma comum em nossa população, de atribuir a terceiros (fatores ambientais, relacionamentos, genética etc.) a responsabilidade em seus processos de adoecimento e cura.
Ao assumirmos, através de medidas simples em nossa rotina diária, atitudes de autocuidado, autoestima e ética com relação à nossa natureza humana, estaremos preservando a saúde e diminuindo riscos desnecessários ao milagre de estarmos vivos a cada amanhecer.
Lílian Dórea de Vasconcelos é fisioterapeuta especializada em Reabilitação Neurológica pela FMUSP. Pesquisadora em Qualidade de Vida (visão ampliada pela medicina tradicional: Antroposofia, Fitomedicina, Ayurveda, Medicina Chinesa).